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Tudo bem não ser feliz o tempo todo

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Fotografia: Milene da Mata

“Eu nunca vou ser feliz como essas pessoas!”, “Eu nunca vou ser feliz como essas pessoas!”, “Eu nunca vou ser feliz como essas pessoas!” – é o pensamento que não sai da minha cabeça enquanto eu rolo o meu feed do Instagram me atualizando sobre como a vida de todo mundo é perfeita enquanto a minha continua um caos.

Preciso dizer que esta “felicidade.com” me deprime. Não me entenda errado, não é como se a felicidade alheia me incomodasse a ponto de eu desejar o mal de alguém, não é isso. Eu acho, inclusive, que algumas histórias são realmente inspiradoras. Mas, por outro lado, às vezes me faz pensar que eu nunca vou chegar lá.

É engraçado, quando as pessoas estão no topo, elas dizem: “Não desista, você vai conseguir, eu também passei por um período difícil…”, mas eu nunca encontro registros do “período difícil”. No Instagram tudo que eu consigo ver são lugares maravilhosos, corpos esculturais e declarações de amor.

Por falar em amor, e o amor próprio? Risos. A minha timeline está repleta de #loveyourself e uma infinidade de mensagens motivacionais dizendo que “você precisa se aceitar como você é”. Dou like em todas, mas, cá aqui entre nós, ainda não estou confortável para usar biquíni porque o “projeto verão” falhou mais uma vez. Este ano no máximo “verão” que eu estou cheia de celulites e, me desculpe, mas eu não aceito elas!

Preciso admitir, porém, que não estou me esforçando muito para mudar esta realidade, troco facilmente a academia por um chocolate. Eu acho legal ser fitness. Eu queria ser fitness. Mas eu não sou! Meu sonho é descontar toda a minha ansiedade na corrida como faz a Pugliesi, mas no meu caso eu só sinto paz quando vejo o fundo da panela de brigadeiro. Uma paz que muito rapidamente é substituída por culpa, porque né, eu realmente queria emagrecer aqueles dois quilos…

Esse papo de “precisamos amar cada pedacinho do que somos” soa como um “blábláblá” na minha cabeça. Ok, a gente precisa se amar, mas tem coisa em mim que eu gostaria de mudar, sim. A começar pelo meu cabelo! Esses dias vi uma foto com a legenda “#badhairday” que me fez revirar os olhos. A menina tinha cabelos lisos e brilhosos, jogados um pouco para o lado direito como se aquilo caracterizasse qualquer dificuldade capilar. Pensei em comentar: “Querida, vou te mandar uma foto minha quando eu acordo e suas definições de “#badhairday” serão atualizadas.” Aff… sério!

Foi então, enquanto eu achava toda essa “realidade” muito distante da minha, que eu comecei a reparar na minha versão online. Olhei o meu feed e do fundo do coração eu desejei aquela vida. Mais do que qualquer outra pessoa, eu queria ser aquela menina das minhas próprias fotos: muito segura de si, cheia de amigos, viajada, com o cabelo impecável e um relacionamento perfeito!

Por acaso eu não escrevi na legenda que o buquê de flores que eu ganhei semana passada foi um pedido de desculpas. Por acaso eu também esqueci de fazer um registro meu enlouquecida quando comecei a calcular e percebi que as contas não iriam fechar no fim deste mês – e nem do próximo. É, realmente, eu nunca serei feliz como as pessoas do meu Instagram.

Sinceramente não vejo necessidade em postar os dramas da vida nas redes sociais, acho que tudo bem publicar só a parte boa da história… mas sem forçar a barra, sabe? Não precisa dizer que está feliz quando na verdade você está triste. As pessoas são tristes de vez em quando, sentem raiva e mágoa também, e se você está se sentindo assim neste exato momento, tá tudo bem. Você não precisa ser feliz o tempo todo! Eu também não sou. E quer saber? Ninguém é. Nem as pessoas do meu Instagram.

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